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Teste da Linguinha

  • 15 de abr.
  • 3 min de leitura

O Teste da Linguinha (oficialmente chamado de Protocolo de Avaliação do Frenulo da Língua em Bebês) é um exame padronizado e obrigatório no Brasil desde 2014, realizado logo após o nascimento do bebê.


Seu principal objetivo é detectar se o frênulo lingual (membrana que liga a língua ao assoalho da boca) é curto ou está fixado de forma inadequada — condição popularmente conhecida como língua presa.


Por que ele é importante?


A língua presa não afeta apenas a estética ou a fala futura; ela tem impactos imediatos e fundamentais na saúde do bebê e da criança.


Amamentação: A língua tem um papel fundamental na sucção eficaz do leite materno.


Durante a amamentação, o bebê precisa realizar movimentos coordenados de sucção, elevação e anteriorização da língua, além de manter uma vedação adequada da boca no seio. Quando há limitação desses movimentos, todo o processo pode se tornar ineficiente.


Entre as principais alterações, observa-se dificuldade na pega correta, com vedação inadequada, o que pode levar ao escape de leite e entrada excessiva de ar. A sucção tende a ser fraca ou desorganizada, resultando em mamadas mais longas, cansativas e, muitas vezes, pouco eficazes.


É comum também a presença de estalos durante a mamada, pausas frequentes, engasgos e irritação do bebê. Como consequência, pode haver ganho de peso insuficiente.


Para a mãe, a amamentação pode se tornar dolorosa, com maior risco de fissuras mamilares, devido à compensação inadequada da língua durante a sucção.


Além disso, a transferência de leite pode ser prejudicada, impactando a produção láctea ao longo do tempo.


Mastigação: as principais alterações, destacam-se na dificuldade de movimentar o alimento lateralmente, o que compromete a eficiência da mastigação, além de um tempo maior para comer e possível cansaço durante as refeições. É comum também a preferência por alimentos mais macios e a recusa de alimentos mais duros ou fibrosos.


A criança pode desenvolver compensações, como usar mais as bochechas, os lábios ou até movimentar a cabeça para ajudar na mastigação. Isso pode resultar em uma trituração inadequada dos alimentos e na formação de um bolo alimentar pouco eficiente, dificultando etapas posteriores, como a deglutição.


A longo prazo, essas alterações podem influenciar o desenvolvimento das estruturas orofaciais, contribuindo para desalinhamentos dentários e alterações na mordida.


Deglutição: Entre as principais alterações, observa-se a dificuldade na elevação da língua, o que prejudica a vedação adequada da cavidade oral e o controle do alimento. Isso pode levar a escape de alimento ou líquido, além de dificuldade em organizar o bolo alimentar.


Também podem ocorrer sinais como engasgos, tosse durante a alimentação e maior esforço para engolir. Em bebês, isso pode se manifestar como dificuldade na sucção, pausas frequentes durante a mamada e ingestão de ar, o que pode gerar desconfortos como cólicas, engasgos e incoordenação .


Em crianças maiores, é comum a presença de deglutição adaptada ou atípica, com empurrão da língua contra os dentes, o que pode impactar o desenvolvimento da arcada dentária ao longo do tempo.


Além disso, a incoordenação dos movimentos da língua pode tornar a deglutição menos eficiente e, em alguns casos, menos segura.


Fala: A língua é responsáveis pela articulação dos sons.


Para uma fala clara e precisa, a língua precisa realizar movimentos amplos, rápidos e bem coordenados, como elevar, vibrar e tocar pontos específicos da boca (palato, dentes e alvéolos). Quando há limitação desses movimentos, alguns sons podem ser produzidos de forma inadequada, muitas vezes comprometendo a inteligibilidade da fala.


Também pode haver compensações articulatórias, em que a criança adapta a forma de falar utilizando outras estruturas da boca, o que nem sempre garante uma produção adequada dos sons.


É importante destacar que nem todos os indivíduos com anquiloglossia apresentarão alterações nas funções orais. Os impactos variam de acordo com o grau de limitação dos movimentos da língua e a capacidade de adaptação funcional.


A avaliação fonoaudiológica é essencial para identificar se há impacto funcional e, quando necessário, indicar a melhor conduta, que pode incluir a indicação do procedimento (frenotomia) juntamente com acompanhamento terapêutico.


Merielen Gaboardi




 
 
 

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